21 de fev. de 2015

FALTAM QUADROS POLÍTICOS

Uma das heranças malditas da ditadura militar persiste até os dias atuais quando notamos com nítida clareza a falta de quadros políticos, efetivamente comprometidos com a justiça e igualdade social  em nosso pais. O que vemos com raras exceções, são políticos interessados em arrumar “boquinha” para apoiadores de suas campanhas e igualmente em busca de algum negócio da china que lhes  permitam acertar a vida, sem esforço ou muito trabalho. Esta é a triste realidade que assistimos em nosso país, decantado como pais do carnaval e pátria das chuteiras. Nem vamos nos ater em plano estadual ou federal, preferindo ficar com as coisas de nossa Bauru.
Até 1975, vereador não recebia subsídios e consequentemente os partidos tinham que caçar pessoas com a finalidade de lança-los como candidatos, e não surgiam lideranças de movimentos populares com esta intenção. Mesmo assim, a Câmara Municipal de nossa cidade, possuía duas sessões semanais, às segundas e quintas, no período noturno, possibilitando que a população acompanhasse o que se discutia em nossa pretensa Casa de Leis. O saudoso amigo e companheiro, Isaias Daibem, afirmava em alto e bom som que a Câmara era a caixa de ressonância da cidade. E mais, vereador não tinha gabinete e nem assessores diretos, utilizando-se os funcionários da casa, para desempenharem seus mandatos. A mordomia dos vereadores, eram sanduiches fornecidos pelo saudoso Lanches Molina e quando as sessões terminavam tarde da noite, o carro oficial do nosso legislativo levava para suas residências, os vereadores que não possuíam veiculo. Edison Bastos Gasparini e Oswaldo Caçador eram fregueses assíduos de Waldemar, o motorista da Câmara.
Instalaram-se gabinetes, telefones, computadores, criaram-se cargos de assessores, loteiam cargos comissionados da administração e as sessões passaram para o período vespertino, e uma única vez por semana. De graça, os vereadores trabalhavam e produziam mais para a comunidade.
Hoje, é comum vereador faltar às sessões da Câmara, para curtir uma praia ou mesmo passear pelo belíssimo roteiro gastronômico de Minas Gerais, pouco se importando com a opinião pública e com os eleitores que o elegeram.
Decididamente, faltam quadros comprometidos com os problemas da cidade, que possam vir a fazer a diferença no amanhã e claro, conscientização politica de nosso povo, para que votem efetivamente naqueles que possuam as melhores propostas para a comunidade, e não, pelo fato do cidadão arrumar medicamentos, consultas médicas e quebrar galho aqui e acolá, cevando o eleitor para este sufragar seu nome na urna.
As sessões do legislativo municipal tem que retornar ao período noturno, urgente, para que o povo possa fiscalizar de perto, o seu funcionamento.

Com a palavra, os senhores vereadores.