21 de fev. de 2013

BRILHANTE USTRA

A indenização é de pouco valor, ante a gravidade do fato, entretanto a sentença proferida pela juíza da 20ª Vara Cívil do Foro de São Paulo, na ação de reparação por danos morais movida pelos familiares do jornalista Luiz Eduardo da Rocha Merlino contra o Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, é emblemática. A juíza condenou e fixou a indenização a ser paga pelo coronel em R$ 50.000,00 ( cinqüenta mil reais), referente a tortura que comandou contra o jornalista e que acabou resultando em óbito do jornalista. A ação foi interposta pelo advogado e professor de Direito Fábio Konder Comparato.

O Coronel, comandou durante os hoje, chamados romanticamente de “anos de chumbo”, o DOI-CODI em São Paulo, e segundo denúncias de ex-presos políticos. Comandava pessoalmente as torturas contra os adversários do regime militar e dentre outras pessoas, teria torturado a atriz Beth Mendes e a atual presidenta Dilma Roussef. Claro está, que o coronel vai recorrer da sentença, alegando, dentre outras coisas, que também é beneficiário da Lei 6683/79, que concedeu a anistia aos que foram punidos pelo regime militar.

O importante entretanto, é o marco histórico que esta sentença apresenta, com o reconhecimento judicial das torturas e mortes ocorridas durante o regime militar. Inúmeras outras ações estão tramitando na justiça com o mesmo objetivo e neste momento, em que se iniciam os trabalhos da Comissão da Verdade, buscando reescrever com exatidão a história de nossa Pátria, tal notícia tem que ser comemorada por todos aqueles que defendem a liberdade, a democracia e a verdade histórica.

SUCESSÃO PRESIDENCIAL.

E a eleição presidencial de 2014 começa de forma antecipada, com o senador Aécio Neves do PSDB no dia do 33º aniversário do PT, subindo a tribuna do Senado, ontem, para elencar os 13 fracassos do partido nos seus dez anos de poder, afirmando que falta autocrítica e humildade aos petistas e referindo-se diretamente a sua possível adversária no ano que vem, afirmando que hoje não é mais a presidenta Dilma Roussef que governa e sim, a lógica da reeleição. Criticou ainda a política econômica, a defesa intransigente que os petistas fazem do réu do mensalão e o não reconhecimento daquilo que segundo ele, FHC fez de bom na presidência.Analistas politicos entendem que se os tucanos continuarem com esta postura de criticar por criticar, requentando denúncias estarão pavimentando o caminho do insucesso. Aécio hoje, mesmo com a oposição de José Serra, seria o candidato tucano escolhido para disputar a sucessão e ao insistir em colocar o mensalão na ordem do dia da sucessão, estará dando chance aos adversários de relembrar o mensalão mineiro, durante o governo tucano de Eduardo Azeredo. Ao criticar a política pela reeleição de Dilma poderá estar ressuscitando o episódio da aprovação do instituto da reeleição, aprovado durante o primeiro governo de FHC, quando as denúncias de aberturas das torneiras dos cofres públicos, para favorecer parlamentares favoráveis e aliciar os contrários, tomaram as manchetes da grande mídia. A critica pela crítica, sem apresentação de propostas objetivas de governo, tem demonstrado ultimamente não cativar o conjunto do eleitorado, não sendo demais relembrar a ultima eleição municipal, quando a candidata Chiara Ranieri coligada com o PSDB, passou toda a campanha criticando o prefeito Rodrigo Agostinho, sem apresentar propostas alternativas de governo, acabou por amargar um terceiro lugar.
O que o conjunto do eleitorado brasileiro espera é a apresentação concreta de propostas de governo, melhorias da qualidade de vida de nosso povo, erradicação da miséria. Se Dilma e o PT, entrarem no jogo dos tucanos e partirem igualmente para denúncias, poderá estar fortalecendo o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Aguardemos o desenrolar desta verdadeira partida de xadrez.