3 de mai. de 2013

MORRE JOSÉ IBRAHIM

Faleceu mais um, daqueles que contribuíram de forma decisiva para a redemocratização de nossa Pátria, colaborando com o próprio sangue para adubar a terra Arida em democracia e liberdade, durante os hoje romanticamente chamados “anos de chumbo”. Surgiu no cenário político em 1968, ocasião em que como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, liderou a greve da COBRASMA, primeiro movimento grevista reivindicatório pós-golpe militar de 64, e em decorrência deste movimento foi cassado enquanto líder  sindical e demitido da COBRASMA, onde havia começado a trabalhar aos quatorze anos de idade. Engajou-se na militância d Vanguarda Popular Revolucionária – VPR -, ao lado do companheiro de sindicato e greve, Zequinha Barreto, tendo sido preso em 69. Zequinha em liberdade, acompanhou o Capitão Carlos Lamarca para o sertão da Bahia, onde foram mortos pela repressão, em Buriti Cristalino. Ibrahim ficou preso do DOPS da General Osório, em São Paulo, onde foi selvagemente torturado. Por ocasião do seqüestro do embaixador americano Charles Elbrich, foi colocado em liberdade em 7 de setembro de 1969, juntamente com outros 14 presos politicos da época, dentre eles, o sargento Onofre Pinto, um dos fundadores da VPR.Passou 10 anos exilado, banido do território nacional, vivendo como apátrida, somente retornando ao pais em 1979, depois da Lei de Anistia. Ajudou a fundar o PT e foi deputado federal por São Paulo, saindo posteriormente do partido, continuando a militar no movimento sindical. Indiscutivelmente, José Ibrahim foi uma das maiores lideranças sindicais surgidas depois do Golpe de 1º de Abril, coerente e revolucionário. Sua morte, deixa uma lacuna difícil de ser preenchida, principalmente em uma época onde a ideologia e os efetivos compromissos com os interesses populares, são deixados de lado, propositadamente.

2 de mai. de 2013

CAIU O BARRACO DE HAVELANGE

Aos 96 anos de idade, o brasileiro João Havelange  renunciou a Presidência de Honra da FIFA, alegando  problemas de saúde, mesmo motivo que embasou sua renuncia  anos atrás do COI  - Comitê Olímpico Internacional - , e em ambas as situações os problemas de saúde surgiram quando foi constatado seu envolvimento, ao lado do ex-genro e eterno parceiro Ricardo Teixeira em desvio de verbas, referentes a contratos firmados com a agencia de marketing esportivo, ISL. O Comitê de Ética da FIFA, apontou que Havelange, Teixeira e o paraguaio Nicola Leoz, receberam propinas da hoje falida agência, no valor de R$ 45 milhões de reais. Sabendo de sua culpa e buscando evitar o constrangimento de ser retirado da presidência de honra da entidade que ocupava desde 1998, renunciou na surdina, pouco antes da divulgação do relatório da Comissão de Ética que o condenava, juntamente com seus dois comparsas. Espera-se que a FIFA não conceda a Havelange a pensão vitalícia de R$ 60.000,00 reais, como fez com Ricardo Teixeira, quando este renunciou do cargo de membro do seu  comitê executivo, que aliás soma a esta pensão, o valor de R$ 120.000,00 que recebe da CBF, a titulo de consultoria, mesmo residindo nos EUA. A mesma FIFA, cujo secretário-geral Jérôme Walcke afirma com segurança que com menos democracia é melhor para se organizar uma Copa, e que acabou por proibir que o estádio que abrirá a Copa das Confederações, se chame Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha, pois para a entidade é necessário se manter a consistência dos nomes dos estádios, deveria imediatamente determinar a mudança do nome do Engenhão, tirando-se o atual nome de Estádio Olímpico João Havelange. Afinal este nome, além de ter muito menos consistência do que o de Mané, ainda representa a homenagem a um homem que comprovadamente sem saber cobrar um lateral, dominou o futebol durante décadas, sempre se locupletando do dinheiro do  esporte. Que um  dos mais belos estádios brasileiros, hoje interditado, não guarde em suas curvas, os desvios de um cartola. Demorou muito, e felizmente caíram, os  barracos de Havelange, Teixeira e Cia.