Hoje é dia consagrado para reverenciar os mortos, e uma verdadeira romaria deve acontecer nos cemitérios da cidade, com a EMDURB calculando que aproximadamente 50 mil pessoas passarão pelos sete cemitérios da cidade, aquecendo o mercado informal de flores, velas que são compradas nesta data com a finalidade de serem homenageados os nossos parentes e amigos que já faleceram. Em um dos cemitérios particulares da cidade, o Jardim dos Lírios contará inclusive com a presença de uma orquestra que estará executando músicas em homenagem a finados. Como todo o ano, os túmulos da menina Maria Lúcia, assassinada em novembro de 1970, sem que o autor tenha sido identificado e preso e o de Maria Nunes, deverão estar entre os mais visitados, pelo fato de acreditarem que ambas ajudam aqueles que para elas rezam. Como todo feriado, de fundo religioso, o finados é mais uma data em que deveríamos aproveitar para refletir sobre os rumos de nossas vidas, buscando resgatar os ensinamentos deixados por aqueles que já partiram deste plano espiritual, ensinamentos estes, valiosos e que muitas vezes relegamos a um segundo plano, principalmente em decorrência da correria do chamado mundo moderno. Existem muitos, que não reverenciar seus mortos, em decorrência de estarem sabidamente mortos, não tiveram seus restos mortais localizados. Deveríamos aproveitar o descanso do feriado nacional para um descanso extra e também para visitar, além dos túmulos de parentes e amigos, creches e abrigos de idosos. Além de estarmos reverenciado os mortos que de uma forma ou outra, marcaram nossas vidas, estaríamos levando alegria para crianças sem famílias e aos idosos, que muitas vezes não recebem a visita de seus familiares. Se de fato, existir outro plano espiritual, além deste em que vivemos, aqueles que estaremos reverenciando durante o dia, estarão festejando nosso ato de solidariedade e fraternidade cristã.
2 de nov. de 2013
1 de nov. de 2013
TRINTA ANOS SEM GASPARINI
Hoje, completam-se trinta anos da morte de Edison Bastos Gasparini, ex-vereador e ex-prefeito municipal de Bauru. Gasparini até os dias de hoje é considerado um dos políticos mais coerentes que atuaram em nossa cidade. Vereador por diversos mandatos, elegendo-se pela primeira vez pelo PTN – Partido Trabalhista Nacional -, no ano de 1959, reelegendo-se em 63 pelo PSB – Partido Socialista Brasileiro – e posteriormente, em 1968,1972 e 1976 pelo Movimento Democrático Brasileiro. Quando da eclosão do Golpe Militar de 1964, foi implacavelmente perseguido, rotulado de comunista perigoso, levando o franzino vereador a empreender fuga, para se safar das ameaças, inclusive de morte que sofria. Desta insana perseguição restou uma perda perene, pois ao ver sua casa invadida pela polícia, fortemente armada, dona Darcy, sua esposa, naturalmente nervosa acabou por ter a gravidez interrompida, perdendo o filho que aguardavam com ansiedade. Gasparini teve seu mandato cassado pela Câmara Municipal de nossa cidade, em tumultuada sessão realizada em 6 de abril de 1964, cassação esta eivada de erros, fato que levou Gasparini a retomar seu mandato na Justiça, no ano de 1965. Gasparini preocupava-se com a organização popular e buscava de forma incessante, criar associações sindicais e de segmentos da comunidade. Humilde no dia-a-dia transformava-se um verdadeiro gigante na Tribuna de nosso legislativo, sempre em defesa dos oprimidos. Tinha uma vida familiar humilde e franciscana, entretanto, jamais deixava de atender quem o procurava principalmente em busca de medicamentos ou leite para crianças. Sem sombras de dúvidas, Gasparini se transformou na voz dos oprimidos, defensor intransigente da classe trabalhadora, gerando por isso uma perseguição insana por parte dos detentores do poder. Teve seu trabalho reconhecido pela população de Bauru, que o elegeu prefeito nas eleições de 1982, cargo que praticamente não exerceu, em decorrência da doença que o levou a morte, menos de sete meses depois de sua posse. Em uma época de mensalão, dinheiro na cueca, seguidas denuncias de corrupção, a ética e a coerência de Gasparini fazem falta. Ou, não?
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