Hoje, completam-se trinta anos da morte de Edison Bastos Gasparini, ex-vereador e ex-prefeito municipal de Bauru. Gasparini até os dias de hoje é considerado um dos políticos mais coerentes que atuaram em nossa cidade. Vereador por diversos mandatos, elegendo-se pela primeira vez pelo PTN – Partido Trabalhista Nacional -, no ano de 1959, reelegendo-se em 63 pelo PSB – Partido Socialista Brasileiro – e posteriormente, em 1968,1972 e 1976 pelo Movimento Democrático Brasileiro. Quando da eclosão do Golpe Militar de 1964, foi implacavelmente perseguido, rotulado de comunista perigoso, levando o franzino vereador a empreender fuga, para se safar das ameaças, inclusive de morte que sofria. Desta insana perseguição restou uma perda perene, pois ao ver sua casa invadida pela polícia, fortemente armada, dona Darcy, sua esposa, naturalmente nervosa acabou por ter a gravidez interrompida, perdendo o filho que aguardavam com ansiedade. Gasparini teve seu mandato cassado pela Câmara Municipal de nossa cidade, em tumultuada sessão realizada em 6 de abril de 1964, cassação esta eivada de erros, fato que levou Gasparini a retomar seu mandato na Justiça, no ano de 1965. Gasparini preocupava-se com a organização popular e buscava de forma incessante, criar associações sindicais e de segmentos da comunidade. Humilde no dia-a-dia transformava-se um verdadeiro gigante na Tribuna de nosso legislativo, sempre em defesa dos oprimidos. Tinha uma vida familiar humilde e franciscana, entretanto, jamais deixava de atender quem o procurava principalmente em busca de medicamentos ou leite para crianças. Sem sombras de dúvidas, Gasparini se transformou na voz dos oprimidos, defensor intransigente da classe trabalhadora, gerando por isso uma perseguição insana por parte dos detentores do poder. Teve seu trabalho reconhecido pela população de Bauru, que o elegeu prefeito nas eleições de 1982, cargo que praticamente não exerceu, em decorrência da doença que o levou a morte, menos de sete meses depois de sua posse. Em uma época de mensalão, dinheiro na cueca, seguidas denuncias de corrupção, a ética e a coerência de Gasparini fazem falta. Ou, não?
1 de nov. de 2013
SELVAGERIA EM SÃO PAULO
Nesta segunda-feira, violentos protestos foram realizados no bairro de Jaçanã, na Capital do Estado. Os manifestantes protestaram contra a morte, por um policial militar, do adolescente Douglas Martins Rodrigues de 17 anos de idade. A manifestação teve início por volta das 18:00 horas, depois do enterro de Douglas e pelo menos cinco ônibus e três caminhões foram incendiados, com a rodovia Fernão Dias sendo fechada em seus dois sentidos, além de diversas lojas terem sido saqueadas. Homens armados obrigaram passageiros e motoristas a descerem dos veículos, além de durante um saque realizado em uma loja na Vila Medeiros, um homem ter sido baleado na barriga por uma bala disparada por um dos manifestantes. Verdadeiro campo de batalha se instalou na região com manifestantes assumindo o volante de um caminhão tanque e o dirigiram na contramão, assaltando motoristas de veículos que estavam na estrada, acabando por ocorrer confronto com a PM tentando dispersar a multidão com bombas de efeito moral e balas de borracha. O tumulto na estrada federal, fez com que o Secretario de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira telefonasse para o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, com a finalidade de estabelecer uma ação conjunta. Ao final das manifestações, noventa pessoas encontravam-se detidas. No contato com o ministro da Justiça, o secretário Grella solicitou que a Força Nacional de Segurança atuasse no local e ainda que uma operação de inteligência fosse montada no local e acabaram por combinar uma ação conjunta com o objetivo de coibirem novos atos de vandalismo. Segundo comentários de bastidores, tucanos reclamaram que a Polícia Rodoviária Federal, responsável pela rodovia Fernão Dias demorou para aparecer. Desde o início das manifestações em junho passado, é a primeira vez que o governo do Estado de São Paulo, solicita ajuda ao governo federal, no sentido de tentar coibir as manifestações, sendo certo que o estopim das manifestações de ontem, foi a morte de um jovem estudante que não reagiu a abordagem da PM e acabou morto por um soldado, que se encontra preso, acusado de homicídio. Entretanto, um erro não justifica o outro e temos que estar conscientes de que a teoria de Talião – olho por olho, dente por dente -, não pode e não deve ser aplicada. Que a Força Nacional de Segurança consiga conter as manifestações violentas, são os desejos de toda a comunidade.
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